7 de abril de 2012
Para preparar a Vigilia Pascal
De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo
(PG43,439.451.462-463) (Séc.IV)
A descida do Senhor à mansão dos mortos
Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e
uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e
ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há
séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão
de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão
ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.
O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa.
Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito
e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E
com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre
os mortos, e Cristo te iluminará.
Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram
de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos
que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’
Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos
mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas
mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te,
saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.
Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de
escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado
debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre
os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos
judeus e num jardim, crucificado.
Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê
na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza
corrompida.
Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o
peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti,
como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.
Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao
adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do
sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.
Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te
coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida;
eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te
guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.
Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito
nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os
tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.
Com Maria ao encontro do Ressuscitado
Este é o sentido da descida de Jesus ao Hades, a sua morte tornando-se sua vitória. E a luz desta vitória ilumina agora nosso velar junto ao túmulo:
«Ó Vida, como podes morrer?
Como te delongas no túmulo?
Mas é para destruir o poder da morte
e ressuscitar os mortos do inferno.
Tu foste depositado no túmulo, ó Cristo, tu a Vida!
Pela Tua Morte, destruíste o poder da morte,
e para o mundo, Tu fizeste brotar a vida.
Ó que alegria esta!
Ó grande êxtase pelo qual Tu
inundaste os mortos detidos no inferno,
fazendo luzir o lume em suas
profundezas sombrias!»
A vida entra no reino da morte; a luz divina inunda as trevas tenebrosas e ela brilha para todos aqueles que aí habitam, pois o Cristo é a vida de todos, única fonte de toda vida. Ele morre, pois, por todos, porque tudo que atinge sua vida, atinge a própria Vida... a descida ao Hades é o encontro da vida de todos com a morte de todos:
«Tu desceste sobre a terra para salvar Adão
e não o encontrando, ó Mestre,
tu o foste procurar até no Inferno»
A tristeza e alegria se entregam ao combate, e, agora, a alegria está a ponto de ganhá-lo. As estâncias terminaram; o diálogo, o duelo entre a vida e a morte, está no final. E pela primeira vez ecoa o hino de triunfo e de alegria: é o tropário sobre o salmo 118 (EVLOGITARIA) cantado a cada vigília do Domingo, com a aproximação do dia da ressurreição:
«A multidão dos anjos ficou estupefata
vendo-Te contado dentre os mortos, ó Salvador,
enquanto Tu aniquilavas a força da morte
e contigo Tu acordavas Adão
e libertavas todos os homens.
"Por que misturais vossas lágrimas
com a mirra, discípulos?
diziam às miróforas o anjo resplandecente
que se encontrava no túmulo.
Examinai vós mesmas o sepulcro e vede:
o Salvador ressuscitou e saiu do túmulo.»
Em seguida, vem o belo cânon do grande Sábado, no qual todos os temas deste ofício, desde a lamentação funerária até a vitória sobre a morte, são resumidos e aprofundados; o cânon termina com esta exortação:
«Que a Criação esteja na alegria!
Que todos os habitantes da terra se alegrem
pois o inferno inimigo foi despojado.
"Que as mulheres venham com seus perfumes!
Eu liberto Adão, Eva e toda sua raça.
E no terceiro dia, eu ressuscitarei.»
Desde já a alegria pascal ilumina o ofício. Nós estamos ainda diante do Cristo no túmulo, mas este nos foi revelado como o túmulo que dá a vida. Nele jaz a vida. Nele, uma nova Criação nasce e, uma vez ainda, o sétimo dia, o dia do repouso, o Criador descansa de todas as suas obras. 44A vida adormeceu, e o Hades treme" e nós contemplamos este Sabbat abençoado, o repouso solene daquele que nos devolve a vida: "Vinde, contemplemos nossa vida encerrada no túmulo. . ." Todo o sentido e profundidade mística deste sétimo dia, dia de perfeita realização, nos são agora revelados, pois:
«O grande Moisés prefigurou misticamente este dia
quando disse: Deus abençoou o sétimo dia.
Eis o Sabbat bendito, eis o dia do repouso
no qual o Filho único de Deus
descansou de todas suas obras.»
Faz-se, então, a volta à igreja, em procissão, com o Epitáfio, mas não é uma procissão funerária. É o Filho de Deus, o Santo imortal, que atravessa as trevas do Hades, anunciando o "Adão de toda a geração" a alegria da ressurreição que se aproxima; "tal é a luz da manhã que jorra da noite," ele proclama que "todos os mortos ressuscitarão, todos aqueles que jazem nos túmulos viverão e toda a Criação rejubilará..."
Nós voltamos à igreja. Já conhecemos o mistério vivificante da morte do Cristo. O Hades está vencido, o Hades treme. Aparece então, o último tema, o da Ressurreição.
O Sabbat, o Sétimo dia, conclui e completa a história da salvação, sendo seu último episódio a vitória sobre a morte. Mas, após o sabbat, vem o primeiro dia de uma criação nova, a vida nova nascida do túmulo. O tema da ressurreição começa a repicar no prokímenon:
«Levanta-Te, Senhor, vem em nosso auxílio!"
liberta-nos pelo Teu amor,
ó Deus, nós ouvimos com nossos próprios ouvidos...»
Este tema se prolonga na primeira leitura, a da profecia de Ezequiel sobre os ossos descarnados (Cap. 37): "As carcaças eram muito numerosas sob o sol do vale, e estavam completamente descarnadas." É a morte triunfando no mundo, são as trevas, a implacável e universal sentença de morte. Mas Deus fala ao profeta anunciando que tal não é o destino final do homem. Os ossos ressequidos escutarão a Palavra do Senhor e os mortos reviverão: "eis que Eu abrirei vossos túmulos e Eu vos conduzirei sobre o solo de Israel."
Em seguida a esta profecia, o segundo prokímenon retoma a mesma oração, lança o mesmo apelo: "Levanta-Te, Senhor, e liberta-nos por Teu nome!"
Como isto irá acontecer? Como esta ressurreição universal é possível? É a segunda leitura que no-lo diz (l Cor. 5:6 e Gal. 3:13-14): "Um pouco de fermento faz crescer toda a massa. . ." O Cristo, nossa Páscoa, é este o fermento da ressurreição de todos. Como sua morte destrói o princípio mesmo da morte, sua ressurreição é a penhora da ressurreição de todos, pois sua vida é a fonte de toda vida. Os versículos do Aleluia, que são também os que abrirão o ofício da Páscoa, concordam com a resposta final, a certeza que o tempo da nova Criação, aquele do dia sem noite, já começou:
«Aleluia, aleluia, aleluia!
Que Deus se levante e que seus inimigos se dispersem.
E que fujam diante de Sua Face, aqueles que o odeiam!
Aleluia, aleluia, aleluia!
Como se dissipa a fumaça, eles se dissipam;
como a cera funde diante do fogo,
Aleluia, aleluia, aleluia!»
Feliz Páscoa a Tod@s
Paixão na Área Missionária São Raimundo Nonato
Algumas imagens da Paixão do Senhor, um grande sucesso para a juventude da Área Missionária São Raimundo Nonato. A nossa juventude preparando a chegada da grande cruz nos dias 1 a 3 de setembro 2012. Não só exterioridade, mas uma interação entre arte e espiritualidade cristã. Parabéns!
4 de abril de 2012
Diocese de Roraima celebra Missa do Crisma
Trinta e sete padres, missionárias e missionárias e uma numerosa assembleia liturgica abrilhantou ontem a noite a Celebração da Missa do Crisma presidida por Dom Roque Paloschi e concelebrada pelo Cardeal Cláudio Hummes.
No começo da celebração Dom Roque apresentou os missionários que chegaram de um ano para cá à Diocese.
Após a proclamação das leituras Dom Roque indicou pediu ao povo de Deus de acompanhar os seus padres com muito amor e carinho. Por sua vez indicou aos padres tres atitudes importantes para o pastoreio a mansidão, a fidelidade e o dom total da vida.
PADRE BINDO MELDOLESI
Faleceu ontem, 03 de abril de 2012, aos 93 anos de idade no hospital de Rivoli, Turim, Itália, o Pe. Bindo Meldolesi. Nascido em Ravenna, Itália em 20 de dezembro de 1918, foi ordenado padre em 1941, pela diocese de Ravenna. Em 1948 se tornou missionário da Consolata com a profissão religiosa na Certosa de Pesio - Cuneo, sendo enviado ao Rio Branco, hoje Roraima, chegou ao seu destino missionário em fevereiro de 1950, fazendo parte do segundo grupo de missionários e missionárias que chegaram a Roraima. Com a morte do Pe. Ricardo Silvestri passou a ser dedicar ao encontro com os povos indigenas fundando em outubro de 1965 com o Pe. Calleri a missão Catrimani. De caracter alegre e sempre bem disposto, devido a problemas de saúde, dois anos atrás teve de deixar o seu amado Roraima passando a viver em Alpignano onde conclui sua longa lavora missionária. Descanse em paz.
3 de abril de 2012
Padres, Missionários e Missionárias preparando a Páscoa
Começou esta tarde na Prelazia com o canto da liturgias das horas o momento de espiritualidade em preparaçao à Páscoa especificamente para Padres, Missionários e Missionárias.
Conosco nestes dias de oração o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Comissão da Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Ele veio para conhecer melhor a Amazônia e conosco trabalhar em favor da evangelização neste pedaço de Brasil.
Dom Roque, nosso pastor introduziu os trabalhos e apresentou o nosso hospede, Dom Cláudio Hummes. Houve uma boa participaçao de missionários e missionárias.
Missionários e Missionárias durante o encontro.
31 de março de 2012
Semana Santa
Começamos com o Domingo de Ramos a Semana Santa, em todas as comunidades e em diversos horários haverá a bênção dos Ramos e a lembrança da entrada de Jesus em Jerusalém.
Segunda Feira Santa a partir do almoço os padres, missionários e missionárias estarão reunidos em oração na Prelazia com Dom Roque para se prepararem para a Páscoa. Teremos a presença do Cardeal Dom Claúdio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia.
O encontro continuará terça feira de manhã sempre com a oração e na parte da tarde com uma troca de informações com Dom Claúdio que quer conhecer a nossa realidade.
A noite todos os cristãos são convidados para a Missa Crismal em que serão benzidos os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o óleo do Crisma. Os padres renovarão as promessas sacerdotais.
São particularmente convidados para esta celebração os catequizandos que se preparam para o sacramento do Crisma.
A todos os votos de uma intensa vivencia da Grande Semana coração de nossa vida cristã.
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